Com a proximidade do Dia das Mães, muito se fala sobre as mães heroínas. Mulheres que tudo suportam, tudo entregam e que parecem existir apenas para os filhos. Mas pouco se fala sobre o adoecimento silencioso dessas mulheres que, muitas vezes, se dedicam tanto à maternidade que acabam se afastando de si mesmas, esquecendo quem são para além desse papel.
No outro extremo, também existem as mães ausentes, física ou emocionalmente. Muitas delas acabam sendo rapidamente rotuladas, reduzidas a diagnósticos e definições simplistas, como se toda ausência pudesse ser explicada apenas por uma psicopatologia.
Mas talvez o ponto mais importante não esteja nesses extremos.
Winnicott, psicanalista inglês, traz um conceito profundamente humano: o da mãe suficientemente boa. Não uma mãe perfeita, idealizada ou sem falhas. Mas uma mulher que compreende sua própria humanidade e que, dentro das suas possibilidades emocionais, afetivas e da sua história, tenta oferecer ao filho aquilo que entende como cuidado e presença.
É justamente nesse lugar que muitas questões aparecem dentro do consultório. Em algum momento da vida, os filhos começam a perceber que os pais da infância não eram heróis. E essa percepção não acontece em uma idade específica. Ela chega com a maturidade, quando se torna possível compreender que, antes de existir uma mãe, existia uma mulher. E que essa mulher continua existindo ali, com suas dores, limitações, desejos, faltas e histórias não resolvidas.
Uma mulher que, muitas vezes, sequer teve espaço para escolher que tipo de mãe gostaria de ser. Apenas aprendeu a maternar enquanto vivia a experiência, tentando construir caminhos sem referências suficientes.
Talvez amadurecer também seja isso: conseguir olhar para a mãe para além da idealização ou da culpa. Com mais verdade, acolhimento e responsabilidade sobre a própria vida. Porque chega um momento em que permanecer culpabilizando a mãe não diminui a dor, apenas impede que ela seja elaborada.
